Da zerohora.com:
"A bebida do brasileiro vai ficar mais cara em 2009. Refrigerantes e cerveja subirão até 15% no início do próximo ano segundo o auditor Helder Silva, da coordenação de Tributação da Secretaria da Receita Federal."
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Lembram quando a ceva era R$ 2,50? Com R$ 20 se tomava um porre fenomenal...
30.12.08
27.12.08
Feliz Natal, um próspero Ano Novo e traz uma ceva
Eu acho que os butecos tinham que abrir na noite de Natal. Será mesmo que todo mundo tem família com quem passar a ceia? Será mesmo que todo mundo quer fazer isso em casa e sujar toda aquela louça? por isso eu tive uma ideia genial que eu pretendo implementar no próximo dezembro: nós, clientes, contribuímos de julho a dezembro com uma caixinha mensal para os garçons no buteco de nossa preferência. Com o dinheiro fazemos uma maravilhosa ceia para os garçons, cozinheiros e demais funcionários. Ia ser aquela loucura, crianças correndo prum lado e pro outro, tio bêbado desfilando as cuecas novas. Todo mundo bebendo e realmente confraternizando com o mundo, e não somente com os do nosso sangue.
Ta, foi uma ideia ridícula. Nem eu mesmo ia querer sair de casa pra me meter num buteco na noite de Natal, e olha que eu não sou nada sentimental com datas religiosas. o indicado é ´so mexer para fazer onda, han?!
Ta, foi uma ideia ridícula. Nem eu mesmo ia querer sair de casa pra me meter num buteco na noite de Natal, e olha que eu não sou nada sentimental com datas religiosas. o indicado é ´so mexer para fazer onda, han?!
23.12.08
aberto das 19h até o último cliente
não tem nada mais irritante em buteco que hora para fechar, a plaquinha na porta de todos deveria dizer "aberto das 19h até o último cliente". É a coisa mais estraga prazeres ter que trocar de bar no meio da noite porque o garçon ta indo pra casa dormir. Imagina um casal em seu primeiro encontro conversando na mesa do bar. Um chope pra la, um petisco pra ca, muitas risadas... e "vocês querem pedir a saideira? já estamos fechando." Coisa mais brochante.
outro dia eu estava chegando num bar na cidade baixa, cujo nome não vem ao caso, e na entrada o garçon ja me preveniu:
- fechamos em meia hora.
- ta bom, mas tem amigos meus aí dentro. só quero encontrar eles.
- mas nós fechamos em meia hora, tu só vai tomar um chope e vai embora.
Problema é meu se eu quiser tomar um chope e ir embora, ou se eu quiser comprar cigarros, um chiclete, sei la. Esses butecos de Porto Alegre têm que lembrar aquele velho máximo "o cliente tem sempre razão". Têm que seguir o exemplo do seu França, pai do Vinicius, que segundo consta só vai pra casa depois que o último cliente também vai. Esse é o espírito do buteco, essa é a fraternidade.
Talvez isso aconteça porque nós bebemos demais por aqui, nunca falta cliente. Já pensei em fazer um protesto, uma especie de greve para reivindicar melhor qualidade no atendimento, mas.. ia ter que parar de beber, baita mão.
outro dia eu estava chegando num bar na cidade baixa, cujo nome não vem ao caso, e na entrada o garçon ja me preveniu:
- fechamos em meia hora.
- ta bom, mas tem amigos meus aí dentro. só quero encontrar eles.
- mas nós fechamos em meia hora, tu só vai tomar um chope e vai embora.
Problema é meu se eu quiser tomar um chope e ir embora, ou se eu quiser comprar cigarros, um chiclete, sei la. Esses butecos de Porto Alegre têm que lembrar aquele velho máximo "o cliente tem sempre razão". Têm que seguir o exemplo do seu França, pai do Vinicius, que segundo consta só vai pra casa depois que o último cliente também vai. Esse é o espírito do buteco, essa é a fraternidade.
Talvez isso aconteça porque nós bebemos demais por aqui, nunca falta cliente. Já pensei em fazer um protesto, uma especie de greve para reivindicar melhor qualidade no atendimento, mas.. ia ter que parar de beber, baita mão.
16.12.08
Fernanda Zaffari copiona 2
Pelo visto, Fernanda Zaffari também está em uma viagem para saber qual é a saidera mais demorada da Capital. Depois de uma reportagem no seu programa na TVCOM, o Estilo Próprio, ela publicou no Donna deste domingo um perfil de vários butecos de PoA. E ainda está convocando os leitores de seu blog a eleger o melhor bar da cidade. Pô, Fernanda, depois de rodar tanto a boêmia porto-alegrense, tô começando a achar que tu tá bem entendida no assunto. Vamos bater um lero, trocar umas idéias, comer umas polentas fritas por aí, tomar um chope. Mas tu paga, que eu sou só um estudante duro em busca do jornalismo verdade.
Sobre butecos e maresia
Lembram quando eu disse que não tinha nada mais triste do que um buteco vazio? Pois é. Tem, sim. É o buteco de praia.
Aqui em Porto Alegre é muito mais comum essa ânsia de ir para o litoral do que em Vitória - apesar das praias daqui não serem motivo para animação de verão. Nunca veraniei (existe isso?) por aqui, portanto talvez eu tenha uma má impressão dos butecos de praia causada pelos butecos à beira-mar capixabas.
Não sei se é pela superlotação, pela cerveja quente ou se é pelas pessoas com pouca roupa sentadas à mesa - uma canga ou uma sunga, para quem freqüenta esses bares, parece ser mais do que suficiente. Mas tem alguma coisa triste no ambiente.
Não quero fazer aqui o papel do garotinho de apartamento que odeia o verão. Até tenho tido vontade de me espreguiçar na areia e tomar uma caipirinha. Eu só acho que buteco de praia não é buteco. Parece mais uma improvisação, uma versão genérica. A cerveja não é a mesma, os petiscos não são tão gostosos e as pessoas não são tão bonitas. Vai ver eu tenho uma falsa ligação entre bar e urbaneidade. Ou vai ver eu nunca tive um amor de verão que me faz guardar boas recordações de um veraneio.
Mas não se pode negar que as coisas na praia são, digamos, feitas nas coxas. Os bares não estão preparados para receber aquele bando de turistas. E nem têm como: quando chega abril, não há mais clientes, então, para quê investir em um mercado tão sazonal? Por isso os donos contratam mão-de-obra qualquer - nunca haverá na praia um garçom tão simpático quanto o do seu buteco familiar -, seus freezers não suportam gelar tanta ceva e as cozinheiras são sobrecarregadas com zilhões de pedidos.
Não me refiro aqui aos quiosques, os butecos de madeira que ficam nos calçadões (e aqui prometo ainda fazer um post sobre os quiosques de Porto Seguro, que são HIPERBUTECOS). Esses, sim, sabem captar o espírito da época: peixinho frito e guarda-sol, é tudo que um público coberto de Sundown quer - e não um xis com carne crua, acompanhado de uma batata frita murcha.
Aqui em Porto Alegre é muito mais comum essa ânsia de ir para o litoral do que em Vitória - apesar das praias daqui não serem motivo para animação de verão. Nunca veraniei (existe isso?) por aqui, portanto talvez eu tenha uma má impressão dos butecos de praia causada pelos butecos à beira-mar capixabas.
Não sei se é pela superlotação, pela cerveja quente ou se é pelas pessoas com pouca roupa sentadas à mesa - uma canga ou uma sunga, para quem freqüenta esses bares, parece ser mais do que suficiente. Mas tem alguma coisa triste no ambiente.
Não quero fazer aqui o papel do garotinho de apartamento que odeia o verão. Até tenho tido vontade de me espreguiçar na areia e tomar uma caipirinha. Eu só acho que buteco de praia não é buteco. Parece mais uma improvisação, uma versão genérica. A cerveja não é a mesma, os petiscos não são tão gostosos e as pessoas não são tão bonitas. Vai ver eu tenho uma falsa ligação entre bar e urbaneidade. Ou vai ver eu nunca tive um amor de verão que me faz guardar boas recordações de um veraneio.
Mas não se pode negar que as coisas na praia são, digamos, feitas nas coxas. Os bares não estão preparados para receber aquele bando de turistas. E nem têm como: quando chega abril, não há mais clientes, então, para quê investir em um mercado tão sazonal? Por isso os donos contratam mão-de-obra qualquer - nunca haverá na praia um garçom tão simpático quanto o do seu buteco familiar -, seus freezers não suportam gelar tanta ceva e as cozinheiras são sobrecarregadas com zilhões de pedidos.
Não me refiro aqui aos quiosques, os butecos de madeira que ficam nos calçadões (e aqui prometo ainda fazer um post sobre os quiosques de Porto Seguro, que são HIPERBUTECOS). Esses, sim, sabem captar o espírito da época: peixinho frito e guarda-sol, é tudo que um público coberto de Sundown quer - e não um xis com carne crua, acompanhado de uma batata frita murcha.
"- Meo, vamô fazer um chinelo que guarda ceva!"
Da Gazeta Online:"Uma das mais recentes produções da humanidade é, pasmem, um chinelo capaz de carregar bebidas.
Difícil pensar em uma utilidade para o objeto que não seja a de entrar com bebidas em um lugar onde elas não são permitidas, mas os fabricantes alegam que a idéia é facilitar a vida de quem vai para a praia ou para a beira de uma piscina..."
Perdoem o trocadilho muito mais que infame, mas, porra, tem que ser muito chinelão (ou chapado) para ter uma idéia dessas. Ainda não alcancei esse nível.
11.12.08
Ana Clara na escola
Ana Clara: Todo mundo contou o que o papai faz.
Mãe: É? E o que você disse?
Ana Clara: Eu disse que meu pai é bareiro.
Mãe: Bareiro?
Ana Clara: É, quem tem bar é bareiro.
>Ana Clara é minha irmã de quatro anos.
Mãe: É? E o que você disse?
Ana Clara: Eu disse que meu pai é bareiro.
Mãe: Bareiro?
Ana Clara: É, quem tem bar é bareiro.
>Ana Clara é minha irmã de quatro anos.
Nome Sem Sentido Bar e Restaurante
Todo nome de bar tem uma história. O problema é que essa história fica só entre o dono e seus amigos. Os clientes têm que ter muita imaginação para entender os porquês. Listei aqui os top butecos da cidade cujos nomes não fazem sentido algum.
Pingüim: Deve ser uma referência à bebida gelada, pingüim, Pólo Sul, essas coisas. Na cabeça do dono. Na minha, esse nome remete à muita gente entulhada e migração para o norte no inverno.
Pé Palito: Donde no mundo isso é nome de BOATE? Pé Palito? Sério. P-É P-A-L-I-T-O. Isso é nome de cigarro de palha!
Cavanhas: Me perdoem se essa palavra é do dicionário gaudério, mas eu não encontrei o significado dela no Michaelis. Alguém sabe o que significa cavanhas? Meio machadiana, até, essa palavra. "Seus braços eram cavanhas de uma panacéia de sentimentos que nos afigurava ao belo".
Bambu's: Quando cheguei na cidade e me falaram desse, que é um dos butecos mais chinelo de Porto Alege, imaginei que fosse um bar com estilo havaiano, caribenho, algo do gênero, com uma decoração praiana. HÉ. Não, né.
Ocidente: Alguém pode doar um globo para a família Barth? Oi, vocês deram esse nome pra um lugar que serve comida INDIANA!
O melhor nome de buteco que eu vi até hoje foi em um toldo, que o meu prédio vizinho REAPROVEITOU pra fazer cobertura no pátio: Réu Confesso. Ou então o do bar do meu pai: D'Franças - o bar Dos FRANÇAS. Criatividade tá no sangue.
Pingüim: Deve ser uma referência à bebida gelada, pingüim, Pólo Sul, essas coisas. Na cabeça do dono. Na minha, esse nome remete à muita gente entulhada e migração para o norte no inverno.
Pé Palito: Donde no mundo isso é nome de BOATE? Pé Palito? Sério. P-É P-A-L-I-T-O. Isso é nome de cigarro de palha!
Cavanhas: Me perdoem se essa palavra é do dicionário gaudério, mas eu não encontrei o significado dela no Michaelis. Alguém sabe o que significa cavanhas? Meio machadiana, até, essa palavra. "Seus braços eram cavanhas de uma panacéia de sentimentos que nos afigurava ao belo".
Bambu's: Quando cheguei na cidade e me falaram desse, que é um dos butecos mais chinelo de Porto Alege, imaginei que fosse um bar com estilo havaiano, caribenho, algo do gênero, com uma decoração praiana. HÉ. Não, né.
Ocidente: Alguém pode doar um globo para a família Barth? Oi, vocês deram esse nome pra um lugar que serve comida INDIANA!
O melhor nome de buteco que eu vi até hoje foi em um toldo, que o meu prédio vizinho REAPROVEITOU pra fazer cobertura no pátio: Réu Confesso. Ou então o do bar do meu pai: D'Franças - o bar Dos FRANÇAS. Criatividade tá no sangue.
26.11.08
O misterioso mundo da Padre Chagas
Você já se pegou naquela situação de não conseguir decidir em qual buteco vai beber pelo fato de que você está cansado dos mesmos lugares de sempre? Eu já. Infelizmente isso acontece não porque eu já visitei todos os butecos da cidade e estou cansado deles. Pelo contrário. Isso acontece porque eu vou sempre aos mesmos lugares. Parando para pensar, existe um universo de bares que eu ainda tenho que conhecer e, nesse universo, há uma constelação chamada Padre Chagas.
O que tem na Padre Chagas? Colher opiniões alheias sobre o lugar é fácil e quase todos se referem a um mundo de loiras platinadas e bombados vestidos com camisa pólo da Lacoste. Mas isso é o que me dizem. Eu mesmo nunca fui lá para comprovar essa história.
E, então, fico pensando: quanto será a ceva por lá? Lota? Qual é o buteco badalado, o point da galera? E qual é aquele que a gente só vai porque, ah, tá tudo cheio, vamô nesse mesmo? Durante um ano eu morei a 15 minutos do Moinhos de Vento. Era só atravessar o Parcão e, BAM, eu estaria no mundo encantado da Padre Chagas. E por que eu nunca fiz isso?
Outro dia no trabalho, fiz uma entrevista com uma dona de um bar falecido da região. Era o Boteco Fiel. Vendo as fotos do lugar, descobri que era um ponto de boemia sem o ar de Dado Bier que circula por aquelas bandas. Aperitivos de buteco, chope gelado e até roda de pagode estavam no cardápio do Bote Fiel. Imagina, roda de boteco na frente do Sheraton. Apesar de ser bem freqüentado - três mil pessoas visitaram o estabelecimento nos primeiros 4 meses-, o bar fechou - por motivos pessoais dos administradores. O que nos faz pensar: e se houver outros Botecos Fiéis pela Padre Chagas? E se eles fecharem sem eu nunca os conhecer?
Pois é, amigos, é preciso desbravar o misterioso mundo da Padre Chagas. É preciso. Só que, sei lá... Não hoje. Não sei porquê, mas tô mais pelo Pingüim.
O que tem na Padre Chagas? Colher opiniões alheias sobre o lugar é fácil e quase todos se referem a um mundo de loiras platinadas e bombados vestidos com camisa pólo da Lacoste. Mas isso é o que me dizem. Eu mesmo nunca fui lá para comprovar essa história.
E, então, fico pensando: quanto será a ceva por lá? Lota? Qual é o buteco badalado, o point da galera? E qual é aquele que a gente só vai porque, ah, tá tudo cheio, vamô nesse mesmo? Durante um ano eu morei a 15 minutos do Moinhos de Vento. Era só atravessar o Parcão e, BAM, eu estaria no mundo encantado da Padre Chagas. E por que eu nunca fiz isso?
Outro dia no trabalho, fiz uma entrevista com uma dona de um bar falecido da região. Era o Boteco Fiel. Vendo as fotos do lugar, descobri que era um ponto de boemia sem o ar de Dado Bier que circula por aquelas bandas. Aperitivos de buteco, chope gelado e até roda de pagode estavam no cardápio do Bote Fiel. Imagina, roda de boteco na frente do Sheraton. Apesar de ser bem freqüentado - três mil pessoas visitaram o estabelecimento nos primeiros 4 meses-, o bar fechou - por motivos pessoais dos administradores. O que nos faz pensar: e se houver outros Botecos Fiéis pela Padre Chagas? E se eles fecharem sem eu nunca os conhecer?
Pois é, amigos, é preciso desbravar o misterioso mundo da Padre Chagas. É preciso. Só que, sei lá... Não hoje. Não sei porquê, mas tô mais pelo Pingüim.
21.11.08
O Bebvum mais chato do mundo
Todo mundo que se preza tem um amigo que é o bêbado mais chato do mundo. Aquele cara que ninguém entende porque bebe tanto se não sabe se controlar, mas principalmente não entende porque continua chamando ele pra sair. Tem bêbado chato de vários estereótipos: O bêbado corno, o bêbado chorão, o arruaceiro, o chatodasuruba(?), o latin lover, etc. Mas o fato é que não existe festa, buteco ou noitada completa sem a sua irritante e estupeficadora presença. Quando combinam de sair os amigos já sabem de antemão o que há por vir. As mulheres comentam quando vão de bando no banheiro. Os homens só dão aquela risada debochada no canto da boca. Mas no fundo todos se divertem e precisam daquelas cenas deploráveis de copos derramados para se sentirem de fato realizados.
Reza a lenda que o bêbabo mais chato do mundo entre os bêbados mais chatos do mundo, aquele que nem a mãe, tampouco o garçon agüentavam mais chamava-se Nicanor.
Quem presenciou as inúmeras fiasqueiras de Nicanor conta que que como tal nunca houve. O peculiar sobre ele era que não possuía um estereótipo de bêbado-chato, era um bêbado bipolar, ou ainda, multipolar. Passava do bêbado-chorão ao arroz-de-festa como quem diz "será que chove?". Varava as noites de sexta-feira sempre regado à muita cerveja com steinhäger e azeitonas em conserva, litros e potes por noite. Era um ritual quase sagrado: chegava no bar às 19h, e a dose de steinhäger à 0° ja estava esperando sobre a sua mesa reservada; assim que terminava de apreciar a densidade e frescura do destilado, o garçon de tantos anos chegava com a cumbuca de azeitonas e a Bohemia à -3°, servida com 3 dedos de colarinho. E assim o bêbado chato começa seu ciclo de copos e asneiras que se completam no folcore da vida etílica. Eram pinotes sobre a mesa, ao som de um samba-enredo, de repente pedia aos gritos que o dj tocasse um gardel para lhe fazer companhia ao drama, então recolhia-se ao canto como quem se sente um joão gilberto. De tão notáveis que eram as chatices alcoólicas de Nicanor, e de tão imprevisíveis em seu estereótipo, ninguem sabe se foi armação do seu José, dono do boteco, ou se ele apenas se aproveitou da situação, o fato é que Nicanor virou atração turística de sua cidade. Pessoas de todos os lados do país queriam conhecer o bêbado mais chato e imprevisível do mundo.
Certa vez um repórter lhe perguntou qual era a inspiração para os seus a aclamados "shows". Sem titubear ele respondeu: a azeitona.
Reza a lenda que o bêbabo mais chato do mundo entre os bêbados mais chatos do mundo, aquele que nem a mãe, tampouco o garçon agüentavam mais chamava-se Nicanor.
Quem presenciou as inúmeras fiasqueiras de Nicanor conta que que como tal nunca houve. O peculiar sobre ele era que não possuía um estereótipo de bêbado-chato, era um bêbado bipolar, ou ainda, multipolar. Passava do bêbado-chorão ao arroz-de-festa como quem diz "será que chove?". Varava as noites de sexta-feira sempre regado à muita cerveja com steinhäger e azeitonas em conserva, litros e potes por noite. Era um ritual quase sagrado: chegava no bar às 19h, e a dose de steinhäger à 0° ja estava esperando sobre a sua mesa reservada; assim que terminava de apreciar a densidade e frescura do destilado, o garçon de tantos anos chegava com a cumbuca de azeitonas e a Bohemia à -3°, servida com 3 dedos de colarinho. E assim o bêbado chato começa seu ciclo de copos e asneiras que se completam no folcore da vida etílica. Eram pinotes sobre a mesa, ao som de um samba-enredo, de repente pedia aos gritos que o dj tocasse um gardel para lhe fazer companhia ao drama, então recolhia-se ao canto como quem se sente um joão gilberto. De tão notáveis que eram as chatices alcoólicas de Nicanor, e de tão imprevisíveis em seu estereótipo, ninguem sabe se foi armação do seu José, dono do boteco, ou se ele apenas se aproveitou da situação, o fato é que Nicanor virou atração turística de sua cidade. Pessoas de todos os lados do país queriam conhecer o bêbado mais chato e imprevisível do mundo.
Certa vez um repórter lhe perguntou qual era a inspiração para os seus a aclamados "shows". Sem titubear ele respondeu: a azeitona.
17.11.08
Caviar: é redondinho, derrete na boca e tem gosto de salmão
Hoje eu fui na festa de inauguração do BarraShoppingSul. Aquela coisa, né, shopping é tudo igual: decoração branca, detalhes em granizo, escada rolante e palmeira - aliás, de quem foi a idéia de decorar shoppings com palmeiras?
O que rolou de importante mesmo foi a festa. Altos convidados: governadora com vestido de baile, Fernanda Lima comandando a festa, Ospa fazendo aquela sonzera. E o melhor: comida e bebida liberadas para a galera. Era Red Label pra cá, Chandon pra lá. Eu, a trabalho, não pude experimentar a parte alcóolica da coisa. Quando estava indo embora é que tomei uma tacinha de Chandon, só para não fazer desfeita ao Seu BarraShoppinhSul, né.
Em compensação, experimentei todos os acepipes da noite. Tinha um sushi pegado - e olha que eu não gosto de sushi - um pãozinho com gengibre que tava de lamber os beiços. Mas a maior vocês não sabem. Os garçons passavam bandeijas com caviar. E eu comi. Eu comi caviar.
Nunca achei que fosse experimentar essa iguaria na vida. É tipo ir para Aspen ou ganhar uma medalha em Olimpíadas. Coisas que estão fora dos meus sonhos e desejos. Assim sendo, não tinha nenhuma expectativa em relação ao prato. Simplesmente comi, sem nenhuma euforia.
Como é o gosto? Olha, vou te dizer que não é grande coisa. É redondinho, derrete na boca e tem gosto de salmão. Lembro que depois de ter experimentado, pensei: "Prefiro acarajé".
Vai ver eu sou mesmo chinelão e meu paladar só serve para apreciar pastelzinho, polenta e outros petiscos de buteco. Aliás, se tivesse uma polentinha na festa, putz... ia fechar a noite com chave de ouro. Quem sabe quando um shopping chinelão for aberto na cidade, não rola uma ceva e um churras? Vou dar essa sugestão para o Rua da Praia Shopping.
O que rolou de importante mesmo foi a festa. Altos convidados: governadora com vestido de baile, Fernanda Lima comandando a festa, Ospa fazendo aquela sonzera. E o melhor: comida e bebida liberadas para a galera. Era Red Label pra cá, Chandon pra lá. Eu, a trabalho, não pude experimentar a parte alcóolica da coisa. Quando estava indo embora é que tomei uma tacinha de Chandon, só para não fazer desfeita ao Seu BarraShoppinhSul, né.
Em compensação, experimentei todos os acepipes da noite. Tinha um sushi pegado - e olha que eu não gosto de sushi - um pãozinho com gengibre que tava de lamber os beiços. Mas a maior vocês não sabem. Os garçons passavam bandeijas com caviar. E eu comi. Eu comi caviar.
Nunca achei que fosse experimentar essa iguaria na vida. É tipo ir para Aspen ou ganhar uma medalha em Olimpíadas. Coisas que estão fora dos meus sonhos e desejos. Assim sendo, não tinha nenhuma expectativa em relação ao prato. Simplesmente comi, sem nenhuma euforia.
Como é o gosto? Olha, vou te dizer que não é grande coisa. É redondinho, derrete na boca e tem gosto de salmão. Lembro que depois de ter experimentado, pensei: "Prefiro acarajé".
Vai ver eu sou mesmo chinelão e meu paladar só serve para apreciar pastelzinho, polenta e outros petiscos de buteco. Aliás, se tivesse uma polentinha na festa, putz... ia fechar a noite com chave de ouro. Quem sabe quando um shopping chinelão for aberto na cidade, não rola uma ceva e um churras? Vou dar essa sugestão para o Rua da Praia Shopping.
14.11.08
Fernanda Zaffari copiona
No último programa Estilo de Vida, da TV COM, Fernanda Zaffari mostrou os "melhores botecos da Capital". Segundo ela, claro.
Clica aê e vê o que tu acha:
Clica aê e vê o que tu acha:
11.11.08
amnsésia alcoólica ou crônica?
Desde que comecei a pensar no que escrever para esse blog eu percebi (ou relembrei) que um dos meus maiores problemas é e sempre foi a falta de memória. Quando o Vinicius me falou desse título butecosujo eu pirei, fiquei cheio de ideias, já tinha textos imaginados para anos de postagens e agora que eu to aqui tentando pôr-los no papel: nada que preste. Não que eu já tenha perdido todas as cartas na manga antes mesmo do meu segundo post, mas essa infinidade de temas, construídos na rotina assídua da vida na Bohemia, por vezes parece simplesmente sumir, completo albinismo mental. É a mesma coisa que acontece quando eu to afim de sair, mas não pensei em nada específico. Simplesmente não me vem nada à cabeça. Em outra época eu acabaria no Bells, Bambus ou no Rossi, hoje no Pingüim ou Dona Neusa.
Essa invariabilidade forçada é mais uma faca de dois gumes que a vida me apresenta: ao mesmo tempo que construo laços afetivos e de confiança com o buteco eleito pelo subconsciente para ser o único lugar do mundo pra mim, me privo de conhecer tantos lugares que me parecem legais por momentos e depois nem sei o nome ou onde fica. Do que eu tava falando mesmo? ah..
As vezes eu não sei o que veio antes, o ovo ou a galinha? não. a falta de memória ou o álcool. Se bem consigo me lembrar foi a primeira opção, mas a minha opinião nesse caso não é aquela coisa que se diga "nossa, que confiável". Mas também pouco importa. Talvez eu sempre conclua a mesma filosofia barata, talvez eu ria sempre da mesma piada, mas o que importa é que assim eu me permito a fascinação pelas coisas mais simples, representadas em alegorias nas mesas de bar. ou não.
Butecosujo da semana: Dona Neusa só mais uma coisa, é bom chegar cedo. as pessoas andaram lendo este nosso blog e agora o Dona Neusa pulula nas horas de pico.
Essa invariabilidade forçada é mais uma faca de dois gumes que a vida me apresenta: ao mesmo tempo que construo laços afetivos e de confiança com o buteco eleito pelo subconsciente para ser o único lugar do mundo pra mim, me privo de conhecer tantos lugares que me parecem legais por momentos e depois nem sei o nome ou onde fica. Do que eu tava falando mesmo? ah..
As vezes eu não sei o que veio antes, o ovo ou a galinha? não. a falta de memória ou o álcool. Se bem consigo me lembrar foi a primeira opção, mas a minha opinião nesse caso não é aquela coisa que se diga "nossa, que confiável". Mas também pouco importa. Talvez eu sempre conclua a mesma filosofia barata, talvez eu ria sempre da mesma piada, mas o que importa é que assim eu me permito a fascinação pelas coisas mais simples, representadas em alegorias nas mesas de bar. ou não.
Butecosujo da semana: Dona Neusa só mais uma coisa, é bom chegar cedo. as pessoas andaram lendo este nosso blog e agora o Dona Neusa pulula nas horas de pico.
9.11.08
Quando os convidados não aparecem
Se tem uma coisa que me deixa deprimido é passar na frente de um bar e não ver ninguém dentro. Não há como não ser melancólico. Sempre tem uma garçonete em pé, com muita vergonha. E o dono do bar, lá dentro, num canto, com o rosto virado, figindo somar comandas que não existem. Não ter ninguém no bar é como dar uma festa de aniversário e nenhum convidado aparecer.
Uma cidade na qual os butecos estão às moscas é uma cidade sem vida. A primeira coisa que as pessoas cortam de suas despesas é o lazer barato e rápido da cerveja - um pecado, é verdade, mas um pecado que todos nós temos que cometer algum dia. Tudo bem, nunca na história desse país girou tanto dinheiro pelo comércio. E Porto Alegre é uma cidade butequeira. Então eu te entendo se você não costuma ver bares vazios por aí. Mas aqui perto da minha casa, abriu um bar novo. E bar novo é foda. Demora até criar clientela.
Numa das minhas antigas moradias, tinha um buteco por perto que também, nos primeiros 10 meses, nunca vi uma alma viva. Hoje até que é badalado. Já até ouvir comentários elogiando o lugar. Fico feliz quando passo lá frente e tem gente na calçada, aproveitando uma ceva e talz. É como se aquele buteco fosse um filho meu, se formando na faculdade: "Agora meu menino é um homenzinho".
Espero, do fundo do meu coração, que esse bar novo aqui vizinho da minha casa também receba alguns beberrões. E se você estiver se perguntando: "e por que você não passa a ser cliente de lá, então?". Respondo: porque seria como se ninguém tivesse aparecido na minha festa.
Butecosujo da semana: o vatapá com camarão defumado do Dona Neusa não é 5 estrelas. A consistência não é igual ao do acarajé da Dadá, em Salvador - o melhor em toda a Bahia. E aquele amendoin, que foi colocado ali para dar um sabor especial, deixa o gosto da semente muito forte e torna o aperitivo enjoativo. Mas, se você não é muito exigente - como eu - ou quer experimentar comidas exóticas, vai com fé. Só não vai se enxer de chope, passar mal e depois bota a culpa no vatapá...
Uma cidade na qual os butecos estão às moscas é uma cidade sem vida. A primeira coisa que as pessoas cortam de suas despesas é o lazer barato e rápido da cerveja - um pecado, é verdade, mas um pecado que todos nós temos que cometer algum dia. Tudo bem, nunca na história desse país girou tanto dinheiro pelo comércio. E Porto Alegre é uma cidade butequeira. Então eu te entendo se você não costuma ver bares vazios por aí. Mas aqui perto da minha casa, abriu um bar novo. E bar novo é foda. Demora até criar clientela.
Numa das minhas antigas moradias, tinha um buteco por perto que também, nos primeiros 10 meses, nunca vi uma alma viva. Hoje até que é badalado. Já até ouvir comentários elogiando o lugar. Fico feliz quando passo lá frente e tem gente na calçada, aproveitando uma ceva e talz. É como se aquele buteco fosse um filho meu, se formando na faculdade: "Agora meu menino é um homenzinho".
Espero, do fundo do meu coração, que esse bar novo aqui vizinho da minha casa também receba alguns beberrões. E se você estiver se perguntando: "e por que você não passa a ser cliente de lá, então?". Respondo: porque seria como se ninguém tivesse aparecido na minha festa.
Butecosujo da semana: o vatapá com camarão defumado do Dona Neusa não é 5 estrelas. A consistência não é igual ao do acarajé da Dadá, em Salvador - o melhor em toda a Bahia. E aquele amendoin, que foi colocado ali para dar um sabor especial, deixa o gosto da semente muito forte e torna o aperitivo enjoativo. Mas, se você não é muito exigente - como eu - ou quer experimentar comidas exóticas, vai com fé. Só não vai se enxer de chope, passar mal e depois bota a culpa no vatapá...
6.11.08
Colarinho é Lei!
Para mim, servir a cerveja e o chope são quase tão importantes quanto beber. Começa antes, com o processo de escolha da marca e qualidade da bebida; depois o resfriamento adequado - cerveja gelada demais realmente é estúpida, perde todo o sabor e densidade e ainda causa dor de garganta. Então chega o momento de maior tensão, depois da hora de pagar a conta. É o momento de despejar o líquido no copo, um ato quase maquinal, mas que faz toda a diferença na arte de se beber cerveja.
Quando começam a descobrir que o amargo da cerveja não é ruim, os adolescentes tem nojo da espuminha. Acham que são gente grande porque conseguem servir inclinando o copinho de lado deixando aquele líquido opaco, parecendo mijo, pronto pra esquentar e perder sabor. Como esse pessoal iniciante ainda não tem paladar para cerveja e além do mais bebe àquela temperatura estridente de -5º, não faz muita diferença mesmo. Entretanto, para quem, como eu, aproveitou essa fase até exaurir - apesar da pouca idade - e desenvolveu o gosto pela cerveja em sua essência, em seu sabor, em sua textura, aí faz toda a diferença.
O colarinho é responsável por manter a cerveja sempre densa, enquanto vai se dissolvendo, conserva o gás e o sabor, além de ser isolante térmico. Quando se bebe à uma temperatura civilizada, no máximo -3º para cerveja e -1º para chope, torna-se essencial para que se aproveite todo o sabor e refrescância, além deixar o copo muito mais charmoso.
Mas esse assunto não para por aqui, tenho muito a falar sobre isso nos próximos capítulos.
Para quem acha que tudo isso que eu to falando é besteira, olha aqui.
Butecosujo da semana: Dona Neusa, na Lima e Silva (do lado do Olaria), é um ótimo reduto para quem busca o buteco em sua essência. Chopp 350 ml, à 0º e com 2 dedos de colarinho, é reposto à todo momento, sem precisar se esganiçar para chamar o "amigô". Ficadica.
Quando começam a descobrir que o amargo da cerveja não é ruim, os adolescentes tem nojo da espuminha. Acham que são gente grande porque conseguem servir inclinando o copinho de lado deixando aquele líquido opaco, parecendo mijo, pronto pra esquentar e perder sabor. Como esse pessoal iniciante ainda não tem paladar para cerveja e além do mais bebe àquela temperatura estridente de -5º, não faz muita diferença mesmo. Entretanto, para quem, como eu, aproveitou essa fase até exaurir - apesar da pouca idade - e desenvolveu o gosto pela cerveja em sua essência, em seu sabor, em sua textura, aí faz toda a diferença.
O colarinho é responsável por manter a cerveja sempre densa, enquanto vai se dissolvendo, conserva o gás e o sabor, além de ser isolante térmico. Quando se bebe à uma temperatura civilizada, no máximo -3º para cerveja e -1º para chope, torna-se essencial para que se aproveite todo o sabor e refrescância, além deixar o copo muito mais charmoso.
Mas esse assunto não para por aqui, tenho muito a falar sobre isso nos próximos capítulos.
Para quem acha que tudo isso que eu to falando é besteira, olha aqui.
Butecosujo da semana: Dona Neusa, na Lima e Silva (do lado do Olaria), é um ótimo reduto para quem busca o buteco em sua essência. Chopp 350 ml, à 0º e com 2 dedos de colarinho, é reposto à todo momento, sem precisar se esganiçar para chamar o "amigô". Ficadica.
5.11.08
Amigo, me traz uma ceva e um cinzeiro?
Chama o garçom, que assim começa a noite. Só um papo bom, uns amigos e várias cervejas. Eu até gostaria de ter uma estimativa de quantas das minhas sextas-feiras terminaram em butecos. Mas, honestamente, acho que até me deprimiria vendo esses números.
Com alguma experiência em mesas de bar - e com uma vontade de conhecer tantas outras -, eu e meu amigo Felipe Keller decidimos montar este blog. A idéia é compartilhar os nossos olhares críticos desse universo que é o buteco.
Pode não parecer, mas os barzinhos são uma representação da vida sóbria. Uma alegoria, é verdade, mas uma alegoria muito instrutiva. Quantas vezes aquela mesa imunda e gordurosa do buteco já não foi o seu divã? E quantas outras serviram de palco para fins de relacionamentos amorosos? Tá certo, tem aquelas outras, que só servem de palco para os petiscos. Para estas, eu digo: as mesas que presenciaram as grandes discussões da humanidade que me perdoem, mas o frango à passarinho é fundamental.
Da polenta com queijo à análise ecônomica da ergonometria do copo de chopp, eu, Vinícius Silva França, e Felipe Keller prometemos contar sobre todos os cantos dos butecos sujos.
Com alguma experiência em mesas de bar - e com uma vontade de conhecer tantas outras -, eu e meu amigo Felipe Keller decidimos montar este blog. A idéia é compartilhar os nossos olhares críticos desse universo que é o buteco.
Pode não parecer, mas os barzinhos são uma representação da vida sóbria. Uma alegoria, é verdade, mas uma alegoria muito instrutiva. Quantas vezes aquela mesa imunda e gordurosa do buteco já não foi o seu divã? E quantas outras serviram de palco para fins de relacionamentos amorosos? Tá certo, tem aquelas outras, que só servem de palco para os petiscos. Para estas, eu digo: as mesas que presenciaram as grandes discussões da humanidade que me perdoem, mas o frango à passarinho é fundamental.
Da polenta com queijo à análise ecônomica da ergonometria do copo de chopp, eu, Vinícius Silva França, e Felipe Keller prometemos contar sobre todos os cantos dos butecos sujos.
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