Lembram quando eu disse que não tinha nada mais triste do que um buteco vazio? Pois é. Tem, sim. É o buteco de praia.
Aqui em Porto Alegre é muito mais comum essa ânsia de ir para o litoral do que em Vitória - apesar das praias daqui não serem motivo para animação de verão. Nunca veraniei (existe isso?) por aqui, portanto talvez eu tenha uma má impressão dos butecos de praia causada pelos butecos à beira-mar capixabas.
Não sei se é pela superlotação, pela cerveja quente ou se é pelas pessoas com pouca roupa sentadas à mesa - uma canga ou uma sunga, para quem freqüenta esses bares, parece ser mais do que suficiente. Mas tem alguma coisa triste no ambiente.
Não quero fazer aqui o papel do garotinho de apartamento que odeia o verão. Até tenho tido vontade de me espreguiçar na areia e tomar uma caipirinha. Eu só acho que buteco de praia não é buteco. Parece mais uma improvisação, uma versão genérica. A cerveja não é a mesma, os petiscos não são tão gostosos e as pessoas não são tão bonitas. Vai ver eu tenho uma falsa ligação entre bar e urbaneidade. Ou vai ver eu nunca tive um amor de verão que me faz guardar boas recordações de um veraneio.
Mas não se pode negar que as coisas na praia são, digamos, feitas nas coxas. Os bares não estão preparados para receber aquele bando de turistas. E nem têm como: quando chega abril, não há mais clientes, então, para quê investir em um mercado tão sazonal? Por isso os donos contratam mão-de-obra qualquer - nunca haverá na praia um garçom tão simpático quanto o do seu buteco familiar -, seus freezers não suportam gelar tanta ceva e as cozinheiras são sobrecarregadas com zilhões de pedidos.
Não me refiro aqui aos quiosques, os butecos de madeira que ficam nos calçadões (e aqui prometo ainda fazer um post sobre os quiosques de Porto Seguro, que são HIPERBUTECOS). Esses, sim, sabem captar o espírito da época: peixinho frito e guarda-sol, é tudo que um público coberto de Sundown quer - e não um xis com carne crua, acompanhado de uma batata frita murcha.
16.12.08
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